Então, meu blog, o Buzios Papers, será um modo - um caminho - de expor idéias, coisas que faço, impressões sobre o que está rolando pelaí, notícias que me balançam mais do que o normal, e de papear eletronicamente com os amigos... É isso aí. Agora, eu. Na Arte, faço de tudo um pouco: desenho, pinto, faço cerâmica. Cometo minhas poesias e contos. Sou tradutor de artigos científicos e livros da área médica. Fiz algumas exposições de cerâmica e desenhos no Rio de Janeiro, Niterói, Búzios, Rio das Ostras e São Paulo. Vivo aqui no paraíso de Búzios há sete anos... na Praia Rasa. Rubronegro doente. Amo o Rock Clássico. E o Carnaval. Um enorme orgulho profissional: ter sido Diretor Carnavalesco da Escola de Samba Combinados do Amor, a gloriosa agremiação do bairro do Caramujo, em Niterói... Meu bloco carnavalesco para sempre: "Filhos da Pauta", também de Niterói. Sou da noite, sou festeiro, e meu Triângulo das Bermudas é o eixo Rio - Niterói - Búzios. Objetivo maior: viver o momento presente, todos os momentos da minha vida.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Cartoons Clássicos I


São cartoons atemporais; não exploram fatos isolados, ou personalidades - retratam os grandes mistérios da vida e da morte, com sutileza e finesse. Aparecerão nesse blog sem intervalo fixo, talvez semanalmente. Enjoy!
(contribuição do Alfredo Rainho, que me enviou um lote por email. Obrigado, amigo!)



Diário (atrasado) de Búzios

9 e 10 de novembro - Depois de um longo e tenebroso inverno, retornando ao meu diário... Pra começar, tudo como sempre - acordar, nescafé com torradas, margarina e queijo ralado por cima, coleta do cocô (os totós já estavam presos, pela Paulinha), lixo fora na lixeira de Peixinho, psicodrama com os 12 Grandes (os meus peixinhos), olhada geral no jardim-pomar-horta (hehehe), postagem de coisas no meu blog, começo da batalha. Ultimamente: o marido da Ana Flora foi esfaqueado gravemente, mas sai dessa. Fernando José vem passar o feriado aqui em Búzios - é meu filhão - e está indo bem no Santo Daime - e me convidou pra participar. Vai fazer finalmente a minha tatuagem. hehehe. no braço. Um tribal, que ele é bom nisso. Anteontem e ontem, estresse brabo - sumiram os documentos do carro e da Paulinha. Briga de Jo com Paulinha. Procurei horas aqui em Búzios (as duas estavam no Rio) e finalmente achei - em baixo do fax. Pode? Tudo em paz, sem vontade de fazer comida, jantei um mexido de salsicha, farofa pronta, ervilha em lata, e pimenta-abóbora bem picante. Com café. É dura a vida de um artista solitário... Depois, um pouco de tv, e fim de um dia muito proveitoso na traduça - 50 mil toques. Ciao...

... rir é o melhor remédio!... VIII e IX


Um segundo para colocar a camisinha

Um segundo. Esse é o tempo necessário para se colocar uma camisinha lançada esta semana na África do Sul. Com o sugestivo nome de Pronto, o preservativo tem apenas a embalagem diferente dos convencionais: após aberta, ela permanece presa ao anel, facilitando o manuseio. Segundo os fabricantes, quem "for devagar, levará três segundos para colocar" o produto . A nova camisinha surge como uma esperança no combate à Aids no país - que tem 5,5 milhões de pessoas infectadas pelo HIV - já que muitos habitantes admitem não usar preservativo por considerar que sua colocação costuma "cortar o clima" da relação. De acordo com o site do fabricante, o preservativo é manufaturado de acordo com padrões internacionais de qualidade e segurança e chega ao consumidor pelo mesmo preço do produto convencional. Por enquanto, só está disponível o modelo standard, mas a empresa promete lançar uma versão mais fina e outra reforçada no início de 2007. Ainda não há previsão de quando a novidade chegará a outros países. As queixas a respeito do uso de preservativos não são exclusivas dos africanos: uma pesquisa realizada no ano passado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia revelou que 80% dos brasileiros não têm o hábito de usar camisinha. O medo de prejudicar a ereção foi alegado por 14% dos entrevistados, e 9% admitiram se atrapalhar ao colocar a proteção.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

A consciência da imagem / Entrevista com Nise da Silveira





- Como foi criado o Museu do Inconsciente?
- Por quê, vocês me perguntarão, o museu é importante? Porque ele reúne a situação do mundo interno dos indivíduos que se afastaram do mundo real e vivem num outro mundo. E se há uma maneira de conhecermos algo desse outro mundo é certamente através da imagem pintada. São documentos vivos.
- Como a senhora chegou a essa conclusão?
- No princípio o ateliê de pintura era um setor do centro de terapia ocupacional do Centro Psiquiátrico Pedro II. Mas depois fui vendo que através da pintura ficava sabendo de coisas que jamais saberia em conversas orais. E aí passei a estudar essas manifestações e a organizá-las.
- Esse mundo que a gente descobre através da arte, através da pintura...
- Não diga arte. Eu não tenho nenhuma intenção artística. Temos a intenção de pesquisa. As imagens falam uma linguagem própria. Uma linguagem principalmente mítica, porque vêm das profundezas da psique.
- E esses trabalhos sempre ajudaram a senhora a fazer um diagnóstico?
- Ajudaram sobretudo a compreender o estado emocional daquele indivíduo que está numa situação tão desagradável que é a permanência num hospital psiquiátrico. Por melhor que seja, é péssima.
- E de que forma isso ajuda no tratamento?
- Se eu entendo a pessoa, posso ajudá-la através da relação pessoal com essa pessoa, sobretudo através de uma relação em que exista afeto e compreensão.
- Nessa manifestação através da pintura a senhora detectava traços muito semelhantes entre os doentes ou cada um mostra um mundo completamente diferente?
- Cada um tem o seu mundo, como o meu mundo é diferente do seu. Mas há muita coisa em comum. Todos nós temos amizades, temos antipatias, tudo isso. Horas e horas trabalhamos em cima daquelas imagens, elas contam histórias, meio dissociadas, não falam assim como Machado de Assis, um grande escritor, mas mesmo assim contam histórias, que vão me dizer alguma coisa. Se você está contrariada, triste, se consegue encontrar algum amigo com quem você desabafe, você se alivia.
- Isso é um processo?
- É. Adelina (uma das doentes citadas em seu livro Imagens do Inconsciente) gostava de um homem, o que pode acontecer a qualquer mulher. A mãe proibiu. Adelina era uma mulher simples do interior do estado do Rio. Passou uns dias triste, a família pensou que ela estava conformada, mas era início da cisão. Isso acontece todo dia. Hoje as mulheres são mais rebeldes. Ela reprimiu a proibição da mãe. Então passou a ver uma mãe monstruosa e a desenhá-la assim. O inconsciente é de uma riqueza criativa imensa, com imagens extraordinárias.
- Todos os pacientes do centro psiquiátrico...
- Não diga a palavra paciente que me irrita muito.
- Então como a senhora os chama?
- Pelo nome. São pessoas. Recentemente me revoltou muito a entrevista desses rapazes, os jovens que queimaram um índio (em Brasilia). Se fosse um mendigo, disseram, tudo bem.
- O que se passa na cabeça de um adolescente que faz com que ele seja capaz de uma barbárie tamanha?
- Sei lá...(longo silêncio) Eles devem ter o predomínio, na construção da psique deles, do mal. Todos nós temos uma parcela de mal. Não somos bonzinhos cem por cento.
- Alguns inibem o mal que existe em todos e outros não?
- Inibimos ou projetamos. O mal está sempre no outro. A gente sempre acha que não está na gente. Isso pode acontecer a nível do indivíduo e a nível de nação.
- A senhora acha que boa parte da sociedade em que vivemos está impregnada pelo mal?
- O mal está predominando no Brasil.
- A senhora acha que para uma psiquiatria, uma pessoa que estuda a psique humana, o caso desses rapazes é desafiador?
- É desafiador. Deixa a gente perplexa. Estou lendo um livro apaixonante sobre gatos. Se um gato pequeno está com fome se esconde num porão, não sei onde, onde há um ninho de andorinhas. Ele está há dias sem comer, cai uma andorinha, ele pega, pensa em matar para comer, mas não tem coragem, então diz ao gato pai essa coisa alucinante: ensina-me a matar. Ele não sabe matar.
- Voltando ao museu. Em reportagem publicada recentemente no Caderno B falava-se de condições hospitalares supostamente precárias em que estaria vivendo Fernando Diniz. O que a senhora acha disso?
- Não pensem que um hospital particular seria tão melhor assim.
- Mas e um quarto reservado para ele?
- Um quarto reservado, onde ele ficasse isolado, seria pior para ele. Ele tem uma casa reservada, de dois andares, um que é o ateliê dele, e outro com o quarto de dormir.
- A reportagem acabou gerando uma polêmica maior, talvez uma questão filosófica sobre a arte e o artista.
- Filosófica não. Mais ambiciosa. Essa história de vender os quadros, no sentido geral, é o mesmo que ter uma série de imagens e tirar uma. Aí não se entende mais nada.
- A senhora acha fundamental que o acervo preserve todas as suas imagens para continuar o desenvolvimento do trabalho?
- Imagino que Champollion se suicidaria, se, tentando decifrar a linguagem egipcia, lhe tirassem um hieróglifo.
- As pessoas que defendem a posição de se vender os quadros argumentam que hoje há meios tecnológicos que permitem a preservação da imagem das obras num computador.
- Primeiro de tudo, não conheço esses objetos, não conheço nem mesmo esse bichinho que vocês têm aí parecido com uma barata (aponta para o gravador).
- Quando as autoridades reconheceram a importância do seu trabalho?
- Nunca. Ainda não reconheceram.
- E no meio psiquiátrico?
- Muito menos. Alguns, apenas. Em 50 anos, apenas 70 psiquiatras visitaram o Museu do Inconsciente.
- Por que a senhora acha que acontece isso?
- Porque eles foram formados de outra maneira. Muitos acham ótimo aplicar eletrochoques ou outras coisas semelhantes. Acham que são pacientes, podem ser jogados daqui para ali, transferindo de um hospital para outro. Eu sou contra isso.
- A senhora diz que os psiquiatras que defendem terapias com eletrochoques não conseguem se livrar da formação que tiveram. A sua formação não foi muito diferente. O que houve?
- Eu sempre fui rebelde de natureza. Fui filha única, sempre fiz o que queria.
- A senhora veio para o Rio sozinha?
- Vim sozinha.
- Com que idade?
- Com 15 anos. Meu pai morreu quando eu me formei, e eu não aguentei ficar em Maceió, meu pai era como eu, não ligava se tinha casa ou não tinha nada, aí vim para cá. Minha mãe ficou na casa do pai dela. Depois ela veio.
- Como a senhora decidiu estudar psiquiatria?
- Primeiro estudei medicina. Fui a única mulher de um grupo de 156 homens. Aí comecei a frequentar a clínica neurológica.
- A senhora era muito assediada na faculdade?
- Não, eu era muito brava. Não propriamente brava...era uma lutadora.
- Quais foram os momentos mais difíceis no desenvolvimento do seu trabalho?
- Todos foram muito difíceis para mim. Eu investia contra eles. Gosto dos desafios.
- A senhora acompanha o trabalho do Museu ainda hoje?
- Depois que eu tive a fratura na perna ficou mais difícil...
- (Ela mostra desenhos de círculos feitos por um doente) Como a senhora explica esses desenhos?
- A questão é: dentro daquela idéia de que o louco - a palavra científica é esquizofrenia - é uma pessoa partida, em pedaços, como é que ele via tão bem o símbolo da unidade, que é o círculo? Essa interrogação estava sempre na minha cabeça. Eu estudava psiquiatria. Esquizo, no grego quer dizer separado, partido, mas volta e meia apareciam círculos nos desenhos. Então, como sou atrevida, escrevi para Jung, perguntando se eram mandalas os círculos que os doentes pintavam. Levei um grande susto de felicidade quando recebi uma carta da secretária de Jung dizendo que o professor agradecia muito as mandalas. A partir daí comecei a trabalhar com os conceitos de Jung.
- Foi assim que Jung passou a influenciar seu trabalho?
- A psicologia junguiana entrou no Brasil através da pintura dos doentes. E a mandala simboliza o potencial autocurativo, se a pessoa vive um estado de confusão mental, de dissociação, o inconsciente profundo está mandando o símbolo dessa unidade. Então, a psique, mesmo do esquizofrênico, tem um potencial autocurativo. Isso no começo da década de 50 realmente era uma abertura nova. Como que essas forças autocurativas podem se manifestar? Principalmente através do afeto. Se uma pessoa é trancafiada num hospital psiquiátrico, dificilmente essas forças podem se manifestar. Mas através do afeto, elas se manifestam.
- A senhora acha que tem seguidores fora do Brasil?
- Não diria seguidores. Diria relações de amizade, com psiquiatras estrangeiros.
- E a senhora passou a se corresponder com Jung?
- Corresponder propriamente não, mas tive uma entrevista pessoal com ele, eu me queixava das dificuldades, e ele me disse: você estuda mitologia? Eu disse não. E ele então explicou: o inconsciente fala a linguagem da mitologia. Aí comecei a estudar mitologia. Se eu não tivesse me aberto para a mitologia não teria entendido, por exemplo, a mulher-vegetal da Adelina.
- E o que significa isso, a mulher transformada em vegetal?
- É o mito de Dafne. Ela foge e pede à mãe para transformá-la em vegetal. Se eu não estivesse atenta à mitologia não poderia entender...
- É impressionante como essa ligação entre o mito e o inconsciente pode ser tão bem expressa numa pintura...
- É porque a linguagem do inconsciente é a linguagem mítica. E é por isso que quando chega uma pessoa e diz: que bonita figura (refere-se aos quadros do museu), vamos tirá-la daqui para vender e comprar sanduíches de presunto para distribuir como lanches aos doentes. Eu me oponho.

Entrevista dada para Regina Zappa e Nani Rubin
para o Jornal do Brasil, em 4 de maio de 1997

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

fotopiada... by fnax

... rir é o melhor remédio!... VII

Imagens do Inconsciente / Loucos somos nós...







Carlos Pertuis
Filho de imigrantes franceses, Carlos Pertuis nasceu em 1910. Foi internado aos 29 anos quando teve uma visão cósmica do “planetário de Deus”. Algumas pinturas que produziu durante as internações foram analisadas por Jung no II Congresso de Psiquiatria, realizado na Suíça em 1957. A seguir, algumas de suas obras.















Médicos Sem Fronteiras: uma visão humanitária do Mundo

Saúde mental: parte integrante da ajuda humanitária

Experiência de MSF em situações de conflito mostrou a importância do desenvolvimento de tratamento de estresses pós-traumáticos e outras desordens.

Durante mais de 15 anos, Médicos Sem Fronteiras (MSF) desenvolveu programas de saúde mental em mais de 40 países em contextos de crises: conflitos, catástrofes naturais, períodos de fome, epidemias ou pandemias, uma experiência que fez com que aprendesse que o tratamento psicológico e psicossocial deve ser parte integral da ação humanitária.

Os projetos de ação médica de MSF sempre têm associados, por conta da própria natureza, um componente psicológico resultante da mera interação com o pacientes, sejam eles pessoas que vivem em contextos de violência, de desastre natural ou que estão sem assistência. É óbvio o impacto da vida do paciente em condições de extrema necessidade ou de ameaça física em sua saúde mental.

MSF ofereceu assistência psicológica pela primeira vez em 1988 às vítimas do terremoto de Spitak, na Armênia. O primeiro programa de saúde mental propriamente dito foi aberto em Gaza, em 1990, para atender às vítimas da Intifada e reconstruir seus mecanismo de defesa e auto-ajuda. Na época, já ficou claro que em conflitos crônicos como este não se pode falar de cura já que os traumas não desaparecem.

Ainda hoje, em Hebron (Cisjordânia), 60% dos casos atendidos por MSF estão relacionados a incidentes violentos.

Nesse projeto, que beneficia 400 pessoas, 25% dos pacientes registrados têm entre três e 14 anos de idade. Além disso, uma em cada cinco pessoas que recebem atenção psicológica são crianças com menos de cinco anos. Os sintomas mais comuns são alopécia, incontinência, medo, agressividade, depressão, ansiedade ou estresse. Tanto em Hebron quanto em Nablus (Gaza), MSF desenvolve projetos específicos de saúde mental através de visitas domiciliares e atendimento individual por parte de equipes formadas por psicólogos, trabalhadores sociais e médicos.

Em outros contextos, os programas têm um enfoque mais amplo, de tipo psicossocial, focado menos no apoio individual e priorizando uma combinação de atividades sociais, psicológicas, legais e médicas. De fato, as conseqüências da violência, do deslocamento, de um terremoto ou de uma doença associada à morte (Aids, febres hemorrágicas, etc) são sentidas não só individualmente, mas por toda a sociedade: atos de violência, violência doméstica, desestruturação dos núcleos familiares, das redes sociais, entre outros etc.

Na Colômbia, contexto no qual três milhões de pessoas se viram obrigadas a abandonar seus locais de origem, os testemunhos recolhidos refletem um ciclo de violência sem fim (assassinatos, seqüestros, desaparecimentos...), onde o deslocamento é perigoso e voltar para casa não é uma opção válida. Este país é, sem dúvidas, o exemplo mais claro de um contexto de emergência onde a saúde mental é bastante esquecida: em algumas províncias, há apenas um psiquiatra disponível para oferecer o atendimento necessário.

No âmbito dos programas psicossociais, uma das lições aprendidas se refere à integração dos mecanismos tradicionais de saúde, como os curandeiros e as parteiras. Quase sempre eles são a primeira opção a quem as vítimas recorrem, por exemplo, em casos de violência sexual ou em casos de problemas físicos creditados culturalmente a uma origem espiritual. Tudo isso está diretamente relacionado à estigmatização do doente.

Como foi constatado em um recente estudo realizado por MSF nos campos de deslocados de Shangil Tobaya (Darfur), uma doença muito freqüente é o chamado mashkul, definido no país como "a profunda preocupação de mentes e corações com o que passou e com o que acontecerá". Os sintomas são uma grave falta de energia e concentração, a diminuição da capacidade de tomar decisões, assim como problemas para dormir e de memória. O mashkul afeta os hábitos de higiene, alimentação e saúde necessários para a sobrevivência.

Devido a tudo isso, é evidente que os cuidados com a saúde mental devem ser incluídos nos programas nutricionais e, de forma mais ampla, na atenção médica humanitária em geral. Os dados recolhidos em Darfur comprovam: 70% dos entrevistados apresentavam graves somatizações de ansiedade e de estresse, que justificavam a enorme quantidade de casos de dores físicas sem explicação médica e a razão pela qual quase um terço das consultas médicas realizadas por MSF em 2005 se encaixavam na categoria diagnóstica "outros".

Além disso, é necessário reconhecer que as conseqüências dos acontecimentos traumáticos são sentidas a longo prazo porque, mesmo quando a urgência estritamente médica acaba, esses programas continuam a ser necessários. No território paquistanês da Cachemira, um ano depois do terremoto, MSF continua a oferecer atendimento psicológico a pacientes com estresse pós-traumático, fobias, depressão e outras desordens de conduta.

Por fim, a questão não é se a saúde mental deve ser levada em conta ou não, mas de que forma e em qual momento. Neste sentido, os desafios enfrentados pela comunidade humanitária são muitos: como ter acesso às vítimas de violência sexual quando isso é considerado um assunto 'privado'? Como criar um projeto médico para responder às necessidades de uma população traumatizada? Quais são as melhores ferramentas para sistematizar essa atenção? Em que situações saúde mental deve ser prioritária?

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Rock Legends I






Jethro Tull
album: Acqualung

Estoques de peixe podem acabar até 2048


Richard Black, BBC




Estoques de pesca já caíram em cerca de 33%, diz estudo

Recife de coral

Um estudo divulgado nesta quinta-feira indica que não haverá praticamente mais nada para pescar nos oceanos até o ano de 2048, caso a atual taxa de mortalidade das espécies marinhas continue do jeito que está hoje.

De acordo com o levantamento, feito por uma equipe internacional de cientistas e publicado na revista científica Science, os estoques de pesca já caíram em cerca de 33% e a taxa de eliminação da biodiversidade marinha continua aumentando.

No entanto, os cientistas acreditam que ainda é possível reverter a previsão, caso sejam ampliadas as áreas de proteção.

“Nós exploramos os oceanos esperando e supondo que haverá sempre uma nova espécie para ser explorada depois que acabarmos completamente com a última”, disse o cientista Boris Worm, da Universidade Dalhousie, do Canadá, que coordenou a pesquisa.

“O que estamos ressaltando aqui é que a quantidade de peixes nos mares é finita; nós já passamos por um terço, e vamos passar pelo resto.”

Alerta


Outro cientista envolvido no projeto, Steve Palumbi, da Universidade de Stanford, também faz o seu alerta: "Se nós não mudarmos fundamentalmente a forma como administramos o conjunto das espécies marítimas, este século será o último século com frutos do mar na natureza".

O estudo, do qual participaram cientistas de diversas instituições da Europa e das Américas, foi feito com base na análise dos índices de pesca em alto-mar, da pesca praticada em determinadas regiões costeiras e de experimentos feitos em ecossistemas pequenos e em outros onde a pesca é restrita ou protegida.

De acordo com o levantamento, em 2003, 29% das instalações pesqueiras em alto-mar estavam em estado de colapso, o que significa que a sua produção havia caído para menos de 10% do original.

Nem mesmo embarcações maiores, redes mais eficazes e novas tecnologias para encontrar peixes conseguiram aumentar o volume de pescados. Na realidade, houve uma queda de 13% no total pescado no mundo entre 1994 e 2003.

Registros históricos da pesca praticada em áreas costeiras da América do Norte, Europa e Austrália também revelam um declínio não só na quantidade de peixes, como em outros tipos de organismos marinhos.

O estudo também alerta que a tendência é que a perda da biodiversidade cause mais fechamentos de praias, inundações e disseminação de algas potencialmente nocivas.

Experimentos feitos em ecossistemas relativamente pequenos mostram que a redução da biodiversidade tende a gerar uma diminuição no tamanho e na qualidade dos estoques locais. Isso sugere que a perda de biodiversidade está por trás do declínio em estoques pesqueiros observado em estudos maiores.

Ao analisar áreas em que a pesca foi banida ou severamente restrita, os observadores concluíram que a proteção pode recuperar a biodiversidade naquela área e restaurar populações de peixes.

"A imagem que eu uso para explicar por que a biodiversidade é tão importante é que a vida marinha é como um castelo de cartas", disse Worm. "Todas as partes são integrantes da estrutura; quando você remove partes, particularmente na base, prejudica tudo que está no topo e ameaça a estrutura inteira."

Danos cumulativos


Segundo Worm, as espécies marinhas estão fortemente vinculadas umas às outras, "provavelmente mais do que na terra".

Em vez de atribuir os danos a uma atividade particular, como a pesca excessiva, a poluição ou a perda de hábitats, o estudo destaca os danos cumulativos dessas atividades.

Uma conclusão-chave, no entanto, é a necessidade de proteger mais áreas oceânicas.

Mas o diretor do programa marinho global, Carl Gustaf Lundin, diz que a extensão da proteção dos oceanos não é a única questão para conter a queda dos estoques.

"Você também tem de ter uma boa administração dos parques marinhos e boa administração das pesqueiras. Claramente, a pesca não deveria destruir o ecossistema. A pesca com rede de arrasto (que leva tudo que está no fundo do mar) é um bom exemplo de algo que destrói o ecossistema."

O especialista também defende a proteção da biodiversidade como forma de reverter o processo, mas Boris Worm, um dos autores do estudo, se diz cético quanto à vontade política para tomar medidas como estabelecer limites para a pesca.

Worm cita o caso da região de Grand Banks, no leste do Canadá, onde os estoques de bacalhau se esgotaram.

"Você tem consenso científico e nada acontece. É um exemplo triste; e o que aconteceu no Canadá deveria ser um aviso porque agora entrou em colapso e não volta".

Da mesma forma, diz o pesquisador, os alertas para disciplinar a pesca de bacalhau no Mar do Norte estão sendo ignorados.

(... é isso aí. Se não cuidar, vai faltar. Papauummowmow dixit.)

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

... rir é o melhor remédio!... VI

Velázquez, um pintor genial!...


Velázquez também fez diversos retratos do herdeiro de Felipe IV, Baltasar Carlos, e dos anões e pessoas com problemas mentais que eram empregados como bufões e acompanhantes na corte. Numa segunda viagem à Itália, Velázquez teve um filho ilegítimo, o que acabou postergando sua volta à Espanha. Durante sua estada lá, ele pintou a famosa 'Vênus do Espelho", Clique na Vênus, para ver o quadro ampliado.

Brasil se afunda mais no índice de corrupção da ONG Transparência Internacional

O Brasil caiu cinco posições no ranking da ONG Transparência Internacional (TI) que mede a percepção da corrupção em 163 países.

Do 62º lugar, o país passou para o 70º no Índice de Percepções de Corrupção (CPI, na sigla em inglês), "empatado" com México, China, Gana, Senegal, Índia, Arábia Saudita e Egito. A queda real é considerada de cinco e não de oito posições, porque mais países foram incluídos neste ano.

"O que é importante é observar a nota, que no caso do Brasil era de 3,7 em 2005 e neste ano foi de 3,3", afirma o coodenador da TI para as Américas, Alejandro Salas. "Outros países podem melhorar o seu desempenho e empurrar você para baixo (sem que haja uma piora do país em questão)".

A nota do Brasil neste ano, que vem caindo desde 2004, foi 3,3 (com notas de zero a dez). Em 2001 e 2002, era 4,0, passou para 3,9 em 2003 e 2004 e em 2005 caiu para 3,7.

Quanto menor a nota, pior a avaliação. A nota cinco é considerada pela Transparência Internacional como uma espécie de divisor de águas: nota inferior é indício de sérios níveis de corrupção.

A TI avaliou os países com base em 12 fontes diferentes, incluindo estudos do Banco Mundial e da consultoria Economist Intelligence Unit feitos com base nas opiniões de empresários, executivos e analistas de dentro e fora do país avaliado.

O último na lista é o Haiti, que obteve nota de 1,8, substituindo Bangladesh, que ficou no pé do ranking por cinco anos e agora subiu para 151º. Em penúltimo, aparecem, empatados, Iraque, Mianmar e Guiné (1,9).

No topo do ranking, estão Finlândia, Islândia e Nova Zelândia - as três com nota 9,6.

As fontes nas quais o indice é compilado variam bastante na metodologia e no público entrevistado. Algumas delas, inclusive, se baseiam em dados do ano passado.

Escândalos

Trata-se da primeira edição do índice desde que estouraram os escândalos que atingiram o governo Lula no passado, uma vez que o estudo de 2005 foi fechado em junho.

Para a subsidiária da entidade no Brasil, "é difícil não atribuir" a deterioração no índice à repercussão internacional dos escândalos.

"É também presumível", ressalta a Transparência Brasil, "que os progressos no combate à corrupção que aconteceram no período" não tenham sido "captados" pelos entrevistados.

Salas, da Transparência Internacional, admite que os escândalos podem ter tido um impacto, mas considera os entrevistados deste estudo de um perfil menos sensível a escândalos do que o cidadão comum, cuja opinião é medida no Barômetro de Corrupção Global, outro estudo que a entidade deverá divulgar neste ano.

O especialista diz que os entrevistados para o ranking CPI costumam ter uma "perspectiva mais ampla", enquanto que a opinião pública é mais ligada às circunstâncias e a fatores "imediatos".

Quanto ao argumento usado pelo governo de que a corrupção está aparecendo mais porque está sendo mais investigada, Sallas admite ser possível que uma eventual melhora no combate ao problema possa ter uma repercussão inicial negativa na percepção dá corrupção praticada no país.

"É possível que um país nessa situação seja penalizado por um, dois, até três anos", disse o especialista.

A má colocação dos países pobres em geral leva a Transparência a destacar uma relação entre pobreza e corrupção.

Para Salas, no entanto, a percepção do funcionamento das instituições democráticas, também mencionado no relatório da TI, é o fator mais determinante na percepção da corrupção.

Ele cita como exemplo a Venezuela, que ficou em 138º lugar na lista deste ano.

"Chile (20º) e Uruguai (28º), que estão bem colocados, são conhecidos por ter instituições fortes", diz Salas.

Com poucas exceções, no entanto, a América Latina aparece mais uma vez como destaque negativo no ranking, com 25 dos 30 países da região tendo notas inferiores a cinco.

Para Salas, o impacto dos escândalos varia de acordo com a reputação das instituições e a confiança de que os envolvidos serão punidos.

Segundo o especialista, uma boa nota não significa um atestado de ausência de corrupção e sim a crença de que os episódios que existem serão punidos por meio de um sistema de Justiça autônomo.

domingo, 5 de novembro de 2006