Máximas sobre o ato de escrever
"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio
você coloca idéias." (Pablo Neruda)
"Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem que nos interrompam." (Sofocleto)
"É preciso escrever o mais possível como se fala e não falar demais como se escreve." (Sainte-Beuve)
"O ato de escrever é a arte de sentar-se numa cadeira." (Sinclair Lewis)
"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)
"Escrever é ter coisas para dizer." (Darcy Ribeiro)
"Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta." (Voltaire)
"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de 'Adeus às Armas' antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)
"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)
"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)
"Quem não lê não escreve." (Wander Soares)
"Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma." (Fabrício Carpinejar)
"Escrever é um ato de liberdade." (Martin Amis)
"Escrever é uma forma de a voz sobreviver à pessoa." (Margaret Atwood)
"De escrever para marmanjos já me enjoei. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo." (Monteiro Lobato)
"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)
"Existem três regras para escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas." (W. Somerset Maugham)
"O autor escreve apenas metade de um livro. A outra metade fica por conta do leitor." (Joseph Conrad)
"Corrigir uma página é fácil, mas escrevê-la, ah, amigo! Isso é difícil." (Jorge Luis Borges)
"Escrever não é fácil ou difícil, mas possível ou impossível." (Camilo José Cela)
"Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um
instante em forma de palavra." (Margaret Atwood)
"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)
"Para escrever bem é preciso uma facilidade natural e uma dificuldade adquirida." (Joseph Joubert)
"Escrever não é nada mais senão ter o tempo de dizer: estou morrendo." (Gaëtan Picon)
"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever." (Lêdo Ivo)
"Escrever é sacudir o sentido do mundo." (Roland Barthes)
"É isso aí - escrever é bom demais!" (papauummowmow)
Meus sites ... dá uma olhadinha neles.
Então, meu blog, o Buzios Papers, será um modo - um caminho - de expor idéias, coisas que faço, impressões sobre o que está rolando pelaí, notícias que me balançam mais do que o normal, e de papear eletronicamente com os amigos... É isso aí. Agora, eu. Na Arte, faço de tudo um pouco: desenho, pinto, faço cerâmica. Cometo minhas poesias e contos. Sou tradutor de artigos científicos e livros da área médica. Fiz algumas exposições de cerâmica e desenhos no Rio de Janeiro, Niterói, Búzios, Rio das Ostras e São Paulo. Vivo aqui no paraíso de Búzios há sete anos... na Praia Rasa. Rubronegro doente. Amo o Rock Clássico. E o Carnaval. Um enorme orgulho profissional: ter sido Diretor Carnavalesco da Escola de Samba Combinados do Amor, a gloriosa agremiação do bairro do Caramujo, em Niterói... Meu bloco carnavalesco para sempre: "Filhos da Pauta", também de Niterói. Sou da noite, sou festeiro, e meu Triângulo das Bermudas é o eixo Rio - Niterói - Búzios. Objetivo maior: viver o momento presente, todos os momentos da minha vida.
sábado, 21 de outubro de 2006
Carta ao Alfredo Rainho, ceramista e diplomata, sobre minhas idéias about Arte...
Ao amigo Alfredo,
um artista.
1. Para começo de conversa, a obra de arte deve literalmente por para fora (= ex-por) as intenções do seu autor. As preocupações do artista, antenado-antena da sua época, devem esvair-se da sua obra, por vezes insidiosamente, em certos casos de maneira recôndita e tranquila, e muita vez de forma barulhenta, aos gritos, corrompendo o ar circunjacente à obra, intoxicando os que passam diante (ou através) da obra. A obra, esta deve ser hemorragia, deve ser ímã, pólo de atração do transeunte, meio de interação, questionamento, instigação, denúncia.
2. No espaço mágico da rua, na plataforma de uma estação do metrô, na praia, num estádio de futebol, ou num grande espaço aberto - em qualquer local (e, já como contradição, na própria sala fechada de exposições) é preciso que o transeunte se chegue, venha a se deparar com a obra, interaja, seja questionado, insultado, infectado, afagado, tocado intestinamente... Não deve ser um “innocent bystander” - que bypassa aquilo que mal-vê e, depois de alguns cálices de vinho e canapés, segue contente seu destino intocado - na sua condição de massa de pão cotidianamente amassada, fornida do fermento que o faz crescer apenas na aparência - não na essência - e pronto para ser de novo devorado todos os dias pela mesmice que o cerca, atolado que está na manteiga da indiferença que lubrifica a sua (e nossa) preguiça de pensar...
3. A obra não pode ser apêndice, apenas compondo temporariamente o espaço maior que é a sala (e aqui, sala pode ser entendida como metáfora para qualquer lugar). A obra é autônoma e tem vida em si, independentemente do que jaz circunjacente a ela. A obra é. Sua mensagem deve ser polivalente e polidirecionada, de modo a atingir horizontal e verticalmente, na superfície e nas camadas mais profundas, o seu alvo, seu transeunte-interator; a obra de arte cria tiroteio, e é balística. De modo que, quando o interator se afastar à busca de seus afazeres, deixe temporariamente de ser massa e leve consigo (mesmo se sentindo incomodado) a trajetória da obra, as preocupações e questionamentos imanentes à obra que o violou, que o transgrediu. Isto é, leve consigo fisicamente a obra, que agora passa a fazer parte de seu próprio acervo fisiológico, cutucando suas idéias.
4. A obra plástica é um texto não-literal, mas ela propõe cabalmente, por outras escritas e linguagens e idiomas, questões originadas na leitura que o artista faz do que o cerca. O artista, esse se doa ao mundo, se permite antropofagar através de sua cria, num ritual que, infelizmente, parece estar desaparecendo nos nossos dias... Mas a carne mística do artista - a sua obra - vai alterar o alvo-transeunte de modo sutil ou brutal, imediatamente ou com o passar do tempo. Em alguns expectadores, como um sutil gotejar; em outros, como caudal avassalador. A obra é óstia que salva, mas faz pecar. Contra o conformismo. Contra a igualdade burra. A favor da diversidade. Para o bem ou para o mal, a obra deve ser o fio indutor d’alguma modificação subseqüente à interação, à interpenetração. E o transeunte-alvo-interator que não fica incólume à ação modificadora do artista através de seu braço plástico ganha acesso aos múltiplos canais de integração das antenas parabólicas giratórias do artista, assestadas para todas as direções de seu mundo estético. E o artista também se embebeda nessa integração.
5. Assim, o interator, o espectador, e até o “innocent bystander” podem compreender melhor seus próprios mundos. E essas pessoas se transformam para sempre em indivíduos, em co-autores da obra. Co-autores sim, pois a obra apenas se completa, e passa a ter razão de ser e atinge seu zênite se for vivenciada - imprescindivelmente - pelos outros, por nós todos. Nesse sentido, a obra é uma estrutura física/conceitual necessariamente inacabada que, de repente, se completa porque, nós, os expectadores, fomos tocados por ela. E porque a obra nos incomodou, e nos fez pensar, passamos a ser um pouco divinos e um pouco demônios... E um pouco artistas.
6. Na verdade, a obra de arte é um ato ético. Mais do que documento estético, a obra de arte é proposta de uma ética que transcende leis e regulamentos escritos, raramente apoiada e quase sempre negada pela consciência pública que paira na nossa época. É fruto de outras vivências, outras vidas, outras obras, outros pensares. Cabo de alta tensão cujo choque é pleno de riscos, pois os conceitos do verdadeiro artista são sempre transgressores, sempre são a ponta de lança que perfura o cenário estático, que o mobiliza, o desorganiza, o avassala; que fere o futuro, que não se contenta com a mesmice, e que quer conflitar contra o nivelamento emburrecedor; que quer sangrar o hoje, mas que pretende também eviscerar o futuro. A obra de arte é isso: ela pretende. Ela antecede as tendências. Ela aponta. E o artista não quer desprezar o passado - por ser coerente com uma linha, tênue linha, que o amarra indelevelmente a outros artistas que vieram antes, desde o início do tempo... Através de sua obra, o artista quer ser humildemente mais um elo nessa linha de coerência.
7. O artista não deve nada a ninguém, e não tem por objetivo agradar a quem consome/vivencia sua obra. A técnica utilizada, o bem-acabado, o mal-acabado, são apenas figuras de retórica inúteis. A estética, o belo, o fazer artístico, aqui, têm outras conotações... O que vale, no final das contas, é a IDÉIA DO ARTISTA. Vale o que ele implicita no material utilizado. Nenhum assunto a ser vedado, nenhuma circunstância interdita: o lixo, a miséria, a política, a pornografia, o trânsito caótico, momentos de intimidade, os ladrões de todas as espécies, a guerra, a inércia, estupro, lirismo, o acovardamento diante da vida, a sublime e idiota coragem de se finar por uma idéia, o amor, a paixão, o charlatanismo, a natureza, o ódio, o dinheiro, a religião, a morte, e a vida além da morte...
8. Para a humanidade, é mister que o artista projete sempre suas dúvidas e incertezas, seus questionamentos e afirmações, suas convicções, sua opinião sobre as coisas. Nos nossos dias, o artista é um animal dicotômico - tido por muitos como supérfluo, oportunista, e anacrônico; e por outros também e sempre aquele que ainda tem muito a dizer nesse totalitarismo onipresente orquestrado pela mídia, que a tudo nivela. O artista é talvez o santo dos nossos dias. Ele pode divinizar. Mas também pode demonizar. Pois o artista desnivela. E diz. Vai contra a corrente.
9. Nós, os alvos-transeuntes, somos aquela manada de bois cabisbaixos que atravessam o pátio do matadouro, de manhãzinha - todos os animais acabarão mortos, é verdade, mas o primeiro a ser escolhido para o abate é o touro que eleva sua cabeça acima dos demais, olha p’ro horizonte, e que urra e se debate, e gira e revolteia, e luta contra a situação, contra as circunstâncias adversas, contra o que está para vir, contra o irremediável... Esse touro idiota deve ser logo abatido, dizem os carniceiros, pois que sua ação é infecciosa, vai de encontro ao que é normal. E os carniceiros sabem, temerosos, que a denúncia do touro pode não cair no vazio, e que a manada talvez esteja pronta - embora não pareça - para seguir a a dança do touro, a idéia nova e impensada, o conceito transgressor que redimirá todo o rebanho, e fará com que ele arremeta contra as cercas engessantes do curral da nossa época, destruindo-as, esfacelando-as em busca da suprema liberdade de pensar por si...
10. O artista se nem sempre se exprime de modo fluente, não hermético, mas sua obra sempre pede mais VIDA. Ele age. Ele não tem medo. Ele combate a MORTE. O artista deve ser claro em suas intenções e, na venda & tráfico daquilo que tem a denunciar através da sua obra, O ARTISTA DEVE SER CHATO À EXAUSTÃO. Inconveniente. Metido. Melífluo. Convencedor. Convencido. Co-movente. Por sua obra, chantagista, assaltante. Agressivo. Louco, às vezes. E louco, nas demais vezes. SEMPRE LOUCO. Mas SEMPRE LÚCIDO...
11. E sua obra, como máquina de moer a carne dos conceitos e hábitos estratificados e da imobilidade das concepções e modos de vida pré-determinados, é oferecida a todos para ser consumida, entendida, execrada, discutida, agredida, afagada, endeusada, traficada, crucificada, idolatrada ou odiada. Mas a comida-obra de arte não é para ficar intocada no prato; ou melhor, não pode ter como resposta a indiferença alvar e pachorrenta do espectador. A bovina acomodação da massa de pão cotidianamente lubrificada. O conformismo uniforme da manada bovina pronta para o abate. É isso que a obra de arte denuncia. E é contra isso tudo que o artista combate. Jamais à sombra, mas sob o sol abrasador. Sempre se expondo às claras. Com muito suor. Com muita gana. Apaixonadamente.
Utopia, s, f., projeto de natureza irrealizável; idéia generosa, porém impraticável; quimera, fantasia.
É isso aí, artista, a minha viagem. Aguardo sua opinião.
FNAX
um artista.
O ARTISTA E A OBRA DE ARTE
UMA POSIÇÃO UTÓPICA
UMA POSIÇÃO UTÓPICA
1. Para começo de conversa, a obra de arte deve literalmente por para fora (= ex-por) as intenções do seu autor. As preocupações do artista, antenado-antena da sua época, devem esvair-se da sua obra, por vezes insidiosamente, em certos casos de maneira recôndita e tranquila, e muita vez de forma barulhenta, aos gritos, corrompendo o ar circunjacente à obra, intoxicando os que passam diante (ou através) da obra. A obra, esta deve ser hemorragia, deve ser ímã, pólo de atração do transeunte, meio de interação, questionamento, instigação, denúncia.
2. No espaço mágico da rua, na plataforma de uma estação do metrô, na praia, num estádio de futebol, ou num grande espaço aberto - em qualquer local (e, já como contradição, na própria sala fechada de exposições) é preciso que o transeunte se chegue, venha a se deparar com a obra, interaja, seja questionado, insultado, infectado, afagado, tocado intestinamente... Não deve ser um “innocent bystander” - que bypassa aquilo que mal-vê e, depois de alguns cálices de vinho e canapés, segue contente seu destino intocado - na sua condição de massa de pão cotidianamente amassada, fornida do fermento que o faz crescer apenas na aparência - não na essência - e pronto para ser de novo devorado todos os dias pela mesmice que o cerca, atolado que está na manteiga da indiferença que lubrifica a sua (e nossa) preguiça de pensar...
3. A obra não pode ser apêndice, apenas compondo temporariamente o espaço maior que é a sala (e aqui, sala pode ser entendida como metáfora para qualquer lugar). A obra é autônoma e tem vida em si, independentemente do que jaz circunjacente a ela. A obra é. Sua mensagem deve ser polivalente e polidirecionada, de modo a atingir horizontal e verticalmente, na superfície e nas camadas mais profundas, o seu alvo, seu transeunte-interator; a obra de arte cria tiroteio, e é balística. De modo que, quando o interator se afastar à busca de seus afazeres, deixe temporariamente de ser massa e leve consigo (mesmo se sentindo incomodado) a trajetória da obra, as preocupações e questionamentos imanentes à obra que o violou, que o transgrediu. Isto é, leve consigo fisicamente a obra, que agora passa a fazer parte de seu próprio acervo fisiológico, cutucando suas idéias.
4. A obra plástica é um texto não-literal, mas ela propõe cabalmente, por outras escritas e linguagens e idiomas, questões originadas na leitura que o artista faz do que o cerca. O artista, esse se doa ao mundo, se permite antropofagar através de sua cria, num ritual que, infelizmente, parece estar desaparecendo nos nossos dias... Mas a carne mística do artista - a sua obra - vai alterar o alvo-transeunte de modo sutil ou brutal, imediatamente ou com o passar do tempo. Em alguns expectadores, como um sutil gotejar; em outros, como caudal avassalador. A obra é óstia que salva, mas faz pecar. Contra o conformismo. Contra a igualdade burra. A favor da diversidade. Para o bem ou para o mal, a obra deve ser o fio indutor d’alguma modificação subseqüente à interação, à interpenetração. E o transeunte-alvo-interator que não fica incólume à ação modificadora do artista através de seu braço plástico ganha acesso aos múltiplos canais de integração das antenas parabólicas giratórias do artista, assestadas para todas as direções de seu mundo estético. E o artista também se embebeda nessa integração.
5. Assim, o interator, o espectador, e até o “innocent bystander” podem compreender melhor seus próprios mundos. E essas pessoas se transformam para sempre em indivíduos, em co-autores da obra. Co-autores sim, pois a obra apenas se completa, e passa a ter razão de ser e atinge seu zênite se for vivenciada - imprescindivelmente - pelos outros, por nós todos. Nesse sentido, a obra é uma estrutura física/conceitual necessariamente inacabada que, de repente, se completa porque, nós, os expectadores, fomos tocados por ela. E porque a obra nos incomodou, e nos fez pensar, passamos a ser um pouco divinos e um pouco demônios... E um pouco artistas.
6. Na verdade, a obra de arte é um ato ético. Mais do que documento estético, a obra de arte é proposta de uma ética que transcende leis e regulamentos escritos, raramente apoiada e quase sempre negada pela consciência pública que paira na nossa época. É fruto de outras vivências, outras vidas, outras obras, outros pensares. Cabo de alta tensão cujo choque é pleno de riscos, pois os conceitos do verdadeiro artista são sempre transgressores, sempre são a ponta de lança que perfura o cenário estático, que o mobiliza, o desorganiza, o avassala; que fere o futuro, que não se contenta com a mesmice, e que quer conflitar contra o nivelamento emburrecedor; que quer sangrar o hoje, mas que pretende também eviscerar o futuro. A obra de arte é isso: ela pretende. Ela antecede as tendências. Ela aponta. E o artista não quer desprezar o passado - por ser coerente com uma linha, tênue linha, que o amarra indelevelmente a outros artistas que vieram antes, desde o início do tempo... Através de sua obra, o artista quer ser humildemente mais um elo nessa linha de coerência.
7. O artista não deve nada a ninguém, e não tem por objetivo agradar a quem consome/vivencia sua obra. A técnica utilizada, o bem-acabado, o mal-acabado, são apenas figuras de retórica inúteis. A estética, o belo, o fazer artístico, aqui, têm outras conotações... O que vale, no final das contas, é a IDÉIA DO ARTISTA. Vale o que ele implicita no material utilizado. Nenhum assunto a ser vedado, nenhuma circunstância interdita: o lixo, a miséria, a política, a pornografia, o trânsito caótico, momentos de intimidade, os ladrões de todas as espécies, a guerra, a inércia, estupro, lirismo, o acovardamento diante da vida, a sublime e idiota coragem de se finar por uma idéia, o amor, a paixão, o charlatanismo, a natureza, o ódio, o dinheiro, a religião, a morte, e a vida além da morte...
8. Para a humanidade, é mister que o artista projete sempre suas dúvidas e incertezas, seus questionamentos e afirmações, suas convicções, sua opinião sobre as coisas. Nos nossos dias, o artista é um animal dicotômico - tido por muitos como supérfluo, oportunista, e anacrônico; e por outros também e sempre aquele que ainda tem muito a dizer nesse totalitarismo onipresente orquestrado pela mídia, que a tudo nivela. O artista é talvez o santo dos nossos dias. Ele pode divinizar. Mas também pode demonizar. Pois o artista desnivela. E diz. Vai contra a corrente.
9. Nós, os alvos-transeuntes, somos aquela manada de bois cabisbaixos que atravessam o pátio do matadouro, de manhãzinha - todos os animais acabarão mortos, é verdade, mas o primeiro a ser escolhido para o abate é o touro que eleva sua cabeça acima dos demais, olha p’ro horizonte, e que urra e se debate, e gira e revolteia, e luta contra a situação, contra as circunstâncias adversas, contra o que está para vir, contra o irremediável... Esse touro idiota deve ser logo abatido, dizem os carniceiros, pois que sua ação é infecciosa, vai de encontro ao que é normal. E os carniceiros sabem, temerosos, que a denúncia do touro pode não cair no vazio, e que a manada talvez esteja pronta - embora não pareça - para seguir a a dança do touro, a idéia nova e impensada, o conceito transgressor que redimirá todo o rebanho, e fará com que ele arremeta contra as cercas engessantes do curral da nossa época, destruindo-as, esfacelando-as em busca da suprema liberdade de pensar por si...
10. O artista se nem sempre se exprime de modo fluente, não hermético, mas sua obra sempre pede mais VIDA. Ele age. Ele não tem medo. Ele combate a MORTE. O artista deve ser claro em suas intenções e, na venda & tráfico daquilo que tem a denunciar através da sua obra, O ARTISTA DEVE SER CHATO À EXAUSTÃO. Inconveniente. Metido. Melífluo. Convencedor. Convencido. Co-movente. Por sua obra, chantagista, assaltante. Agressivo. Louco, às vezes. E louco, nas demais vezes. SEMPRE LOUCO. Mas SEMPRE LÚCIDO...
11. E sua obra, como máquina de moer a carne dos conceitos e hábitos estratificados e da imobilidade das concepções e modos de vida pré-determinados, é oferecida a todos para ser consumida, entendida, execrada, discutida, agredida, afagada, endeusada, traficada, crucificada, idolatrada ou odiada. Mas a comida-obra de arte não é para ficar intocada no prato; ou melhor, não pode ter como resposta a indiferença alvar e pachorrenta do espectador. A bovina acomodação da massa de pão cotidianamente lubrificada. O conformismo uniforme da manada bovina pronta para o abate. É isso que a obra de arte denuncia. E é contra isso tudo que o artista combate. Jamais à sombra, mas sob o sol abrasador. Sempre se expondo às claras. Com muito suor. Com muita gana. Apaixonadamente.
Utopia, s, f., projeto de natureza irrealizável; idéia generosa, porém impraticável; quimera, fantasia.
É isso aí, artista, a minha viagem. Aguardo sua opinião.
FNAX
Diário (atrasado) de Búzios
4 de outubro - Começando meio-dia, porque ontem terminei tarde. Dia de São Francisco, dos animais, e do barman... Últimos dois dias, produção muito boa. Vamos prosseguir assim hoje... Ontem, batizei um dos quatro peixinhos dados pelo LA - o menor deles: Johnny Grandão... Pegou bem. Jo e Paulinha, também ontem, decidiram que eu sou um pão italiano - grande, mal-acabado, mas gostoso... kibom... é isso aí.
6 de outubro - Ontem, um bom dia de trabalho... papei jiló com meu molho de tomates e salsicha. Ficou muito bom... Boa produção. Vamlá. Jo e eu conversamos por telefone. Numa boa.
7 de outubro - Acordei tarde - i.é, quase 11, mas é natural, depois da saidinha na base de cervejota e peixe frito... Cuidando dos peixinhos e dos totós, mandando brasa na tradução... Papando pitangas e amoras. Depois, almoço, macarronada com bertalha e espinafre. Feito por mim. Terminei o cap. 20 do Kessler "Distúrbios do Aparelho Musculosquelético" (bacana, né?), enviei por email pra Sampa, lá pra Editora Manole, e fui ver Brasil 4 x 0 Kuwait. Pelada. Voltando agora pra trabalhar no capítulo 21. Vamlá.
10 de outubro - 10:29, relógio da CBN. Acordei mais cedo, café com ovos fritinhos, peixinhos bem, parece que parou de vazar água do aquário, catação de cocô de cachorro, geral na net, começando na batalha agorinha... Jo e a turma chegam hoje!!! Mas, de repente, telefonema do LA, informando que rebocaram o nosso carro, e ela teria que ir a Bangu - o depósito - para recolher, pagando 112,00. Detalhe: telefone de Jo, nervosíssima, que não queriam soltar o carro porque sua carteira está vencida. Coisas da vida...
Dei um jeito na barba e cabelo, tomei banho, mudei de roupa e agora, 18:40 h, vou tomar um cafezinho e paquerar meus peixinhos... Vamlá...
12 de outubro - Acordei numa boa: dia das crianças. Presentes pra Heleninha, Samuca, eu (dois ímãs de geladeira - dois capitães do mar dados pela Jo), Paulinha (um porquinho da Jo, um banquinho pintado de mandala de mim. Esse último presente também foi pra Jo - pras duas). Dia correndo numa boa, deu curto circuito (a Jo ligou a bomba pra jogar água com a bomba ligada do poço). consertamos legal, eu e o Armando. Carmen comeu amoras diretamente do pé. E pitangas. Curtimos muito os peixinhos... Depois, janta, fui dormir imediatamente - cheio! Jo me visitou à noite. Foi bom o papo... Depois, mimir.
15 de outubro - Churrascão... do bom! Muito legal, o dia inteiro. Especial atenção pro tomate recheado de ricota (que acabou virando tomate seco no calorzinho da churrasqueira). Pintei a madeira da rosa (que ia ser pintada pela Paulinha). Ficou dark e maneira... Secando. Antes, pintei meu toco - tipo listras. Vai virar castiçal. Também ficou bom. Depois, banho, e fui dormir cedo... Enchi o saco.
17 de outubro - Acordei cedo - 9 horas, comi um sanduíche natureba - na base de tomate e alface e queijo gorgonzola (que senão eu não aguento!), e vindo pra batalha... Vamlá. Saindo pra fazer compras - Jo, LA, e eu fomos a las compras... Muita birita da boa, muita comidinha gostosa, três armários de plástico que vão resolver meu lance no escritório - sobretudo as tintas. Usei os armários todos para arrumação - meu ateliê ficou ótimo... LA me deu 9 peixes de presente. Dia da criança. Chegamos, depois biritamos legal, muito papo. Carlinhos Magaldi nos visitou com a mulher. Bom papo. Depois que se foram, Paulinha quis conversar comigo. Resultado: terminamos às 5 da matina, biritados numa muito boa....
6 de outubro - Ontem, um bom dia de trabalho... papei jiló com meu molho de tomates e salsicha. Ficou muito bom... Boa produção. Vamlá. Jo e eu conversamos por telefone. Numa boa.
7 de outubro - Acordei tarde - i.é, quase 11, mas é natural, depois da saidinha na base de cervejota e peixe frito... Cuidando dos peixinhos e dos totós, mandando brasa na tradução... Papando pitangas e amoras. Depois, almoço, macarronada com bertalha e espinafre. Feito por mim. Terminei o cap. 20 do Kessler "Distúrbios do Aparelho Musculosquelético" (bacana, né?), enviei por email pra Sampa, lá pra Editora Manole, e fui ver Brasil 4 x 0 Kuwait. Pelada. Voltando agora pra trabalhar no capítulo 21. Vamlá.
10 de outubro - 10:29, relógio da CBN. Acordei mais cedo, café com ovos fritinhos, peixinhos bem, parece que parou de vazar água do aquário, catação de cocô de cachorro, geral na net, começando na batalha agorinha... Jo e a turma chegam hoje!!! Mas, de repente, telefonema do LA, informando que rebocaram o nosso carro, e ela teria que ir a Bangu - o depósito - para recolher, pagando 112,00. Detalhe: telefone de Jo, nervosíssima, que não queriam soltar o carro porque sua carteira está vencida. Coisas da vida...
Dei um jeito na barba e cabelo, tomei banho, mudei de roupa e agora, 18:40 h, vou tomar um cafezinho e paquerar meus peixinhos... Vamlá...
12 de outubro - Acordei numa boa: dia das crianças. Presentes pra Heleninha, Samuca, eu (dois ímãs de geladeira - dois capitães do mar dados pela Jo), Paulinha (um porquinho da Jo, um banquinho pintado de mandala de mim. Esse último presente também foi pra Jo - pras duas). Dia correndo numa boa, deu curto circuito (a Jo ligou a bomba pra jogar água com a bomba ligada do poço). consertamos legal, eu e o Armando. Carmen comeu amoras diretamente do pé. E pitangas. Curtimos muito os peixinhos... Depois, janta, fui dormir imediatamente - cheio! Jo me visitou à noite. Foi bom o papo... Depois, mimir.
15 de outubro - Churrascão... do bom! Muito legal, o dia inteiro. Especial atenção pro tomate recheado de ricota (que acabou virando tomate seco no calorzinho da churrasqueira). Pintei a madeira da rosa (que ia ser pintada pela Paulinha). Ficou dark e maneira... Secando. Antes, pintei meu toco - tipo listras. Vai virar castiçal. Também ficou bom. Depois, banho, e fui dormir cedo... Enchi o saco.
17 de outubro - Acordei cedo - 9 horas, comi um sanduíche natureba - na base de tomate e alface e queijo gorgonzola (que senão eu não aguento!), e vindo pra batalha... Vamlá. Saindo pra fazer compras - Jo, LA, e eu fomos a las compras... Muita birita da boa, muita comidinha gostosa, três armários de plástico que vão resolver meu lance no escritório - sobretudo as tintas. Usei os armários todos para arrumação - meu ateliê ficou ótimo... LA me deu 9 peixes de presente. Dia da criança. Chegamos, depois biritamos legal, muito papo. Carlinhos Magaldi nos visitou com a mulher. Bom papo. Depois que se foram, Paulinha quis conversar comigo. Resultado: terminamos às 5 da matina, biritados numa muito boa....
CADELA DESPETALADA
"Duas amigas"fnax, búzios, 2004
TENHO ANDADO O DIA TODO, ATRÁS DA PORTA,
EM BUSCA DAQUELA VOZ, NAVALHA,
DO SORRISO DA CRIANÇA, DOS
MEUS PÉS ESVOAÇANTES –
O MEU IDEAL, O MEU IMAGINÁRIO –
E DE UM POUCO DE RAZÃO.
PISO NUMA C’ROA DE FLORES,
SONHO PELA CANÇÃO,
E VEJO SEMPRE BICHOS E TRALHAS,
E FICO INDECISO E GRITO E ME CALO
(E SE ME FALO VOMITO
COISAS INCOMPREENDIDAS PELA PORTA,
E PELOS QUE ATRÁS DELA ESTÃO...)
ME M-OLHO AMARELO E PRETO, E VOU PR'O ESPELHO,
O GRANDE E EMOLDURADO, O COM VOLUTAS.
AS IMAGENS CÓLICAS DO EUESPANTALHO
IMPALADO ME SURGEM, PROSTITUTAS,
E AFLITO FICO, FATAL, MANUEL,
ABESTALHADO, PRONTO & ACABADO,
MOSCA INOCENTE PÊGA AFOITA
NO SEU PRÓPRIO FARTO MEL...
PARAMENTADO CO'A GRAVATA E O TERNO EEE DE BARBA FEITA,
COMO AS DEMAIS PALHAS E PALHAÇOS NO RÉS DO CÉU,
VOU SAIR À BUSCA DO MEU SOL SOLAR, REDONDINHO, COMO EU,
PARA A PRÁTICA ENTÃO DE NÃO-ATOS,
À CATA DE DESGASTOS, DE NÃO-FATOS,
NA CHATA LUTA CONTRA ATORES MÍNIMOS,
CANASTRÕES CONTRAPESADOS, ATÔNITOS,
PSEUDO-LATIFÚNDIOS:
PRONTO
PRO DESATO QUE VIRÁ,
AO ABRIR AQUELA PORTA...
MAS REFUGO, COVARDEMENTE
E MEUS ESTRATAGEMAS MAIS IMUNDOS
SOBRENADAM.
A GUITARRA SE CALA, ASSIM,
NA CABEÇA DO DEDO, O MEU.
DURMO ENTÃO UM POUCO, FINJO DE PEDRA;
DEPOIS, JÁ DE PÉ, NO POSTE
DAS LAMENTAÇÕES ENCOSTADO,
PINTO NA PAREDE CO’AS SUAS VEIAS DISCRETAS,
AS MINHAS MÓDICAS RACHADURAS.
ROMPO O VERNIZ SALVADOR E CANTO IMPLACÁVEL
E MATO SEREIAS E CELACANTOS NO CONFORTO DA SALA
À TUA CATA, FLOR IDEAL, SERPENTINA
(QUE DO MITO É O MOMENTO,
E NÃO DO VÔMITO).
E ME MATO POR TI,
COTIDIANAMENTE.
(SUICÍDIO RECORTADO ESSE MEU, BRO,
QUE NÃO SANGRA MAS AMOFINA...
E AQUI ENTÃO FICO, ENGRAVATADO, SINGELO,
SEM AMIGOS & AMIGAS,
OU PROTEUS OU PROTODEUSAS...
E NUNCA JAMAIS TÃO BELO
COMO AS TEIAS DE ARANHA DESENHADAS NO MEU CÉU,
AS GUITARRAS VIRTUAIS EMOLDURADAS,
AS DORES INDOLORES, E O VENTO
QUE, DEVEZENQUANDO, DESCUIDADA,
A PEQUENA MÃO DA IDÉIA TRAÇA, A MÃO CARCOMIDA
DA MINHA DEUSA DE ALUGUEL...)
MAS A FACA ENVENENADA, A DELA,
DECEPA, NO RÁPIDO MOVIMENTO DO OHLHO,
MINHA POSE MUSICAL, A GRAVATA,
O TERNO, A GENTE FRIA TODA, MEU AZUL-DO-CÉU
E SUA BOLA AMARELA.
NÃO, NÃÃÃOOO!!!. JÁ ACORDO,
E A TROMBADINHA SE ESVAI...
E A VISÃO MINHA POR DEMAIS BELA
VIRA UM CAROÇO, UMA FACA
NO PESCOÇO,
UMA HEMORRAGIA...
OHLHO ENTÃO E DESESCOLHO,
INTERROMPO MEUS ACORDES E A CANTORIA,
ESCORRO E MORRO P’LA BOCA E PELO CORAÇÃO,
E A MÁSCARA MINHA, TODA PAETÊS, CAI,
E A TUMBA DO QUE É REAL RÁPIDO ME ENGOLE.
ASSIM, RETORNO OS PÉS AO CHÃO,
À MINHA HABITUAL MORADA
COM SEUS RÉPTEIS OBSCUROS E
CAPINS-CARPETES COM ÁRVORES MIRRADAS,
FRÁGEIS GRAVETOS,
VARAS POSTES TORRES EIFÉIS...
LÁ DEITADINHO, SOTURNO, MIRO AS PEQUENAS PESSOAS,
DAS QUAIS SÓ A SOLA DOS SAPATOS PREVEJO
PELA FRESTA DA PORTA, DO LADEFORA,
E QUE ME APAVORAM, SIM,
LOGO ELAS, QUE A NADA MAIS
PRESTAM ATENÇÃO.
E EU, PEQUENO PEQUENINO, MÍNIMO ANÃO,
SACO NO ATO, E AFUNDO MAIS, E ME MIJO,
E VOLTEIO, E LIGO A TV,
E FUJOGRITO PRA MINHA TV,
COM SEU ELENCO DE JOVENS
DESMIOLADOS & BONECAS DE OCASIÃO:
“ONDE ESTÃO OS MEUS DESEJOS, MERDA,
A MINHA VIDA, O MEU SONHO AFOGADO...
MINHA GRINGA LOURA NAMORADA ESTÁ DEAD,
MORTAMORTINHA –
E FINADO O MEU IDEAL, O SONHO DESBUNDA...
TUDO SE FINDA NA REAL, NO INFINITAMENTE CHATO
DO DIA A DIA QUE SE PÕE TODOS OS DIAS COM O SOL...
...E MINHA VIDA, PÔRRA, CONTINUA, GENTE,
COMO SE FOSSE NORMAL
NÃO FINAR POR AQUELA GRINGA!”
FECHO OS OHLHOS, E GRITO, OUTRAVEZ,
AGORA NO CEREBELO, COM TODA A FORÇA,
ATÉ QUE CABELOS ME VOLAM ENTRE DEDOS, DIANTE DA TV.
ENFIM!... NADA A FAZER! A CABEÇA, DETONADA,
DESFAZ-SE EM MESURAS PARA A PORTA QUE, SE ABERTA,
ME FARIA CAIR NA RUA PRIMEIRA DO PAÍS DE LATA.
MAS AS PEDRAS E OS BICHINHOS SOMEM TODOS NO AR,
E OS GRAVETOS TAMBÉM, PELOS CANTOS DA SALA, NUM REPENTE.
E A TV SE APAGA.
MINHA MENTE REPASSA ENTÃO TUDO, BURRIFICADA,
COMO AS CARAVANAS DE CRENTES NUMA MISSA CAMPAL.
RECLINO O CORPO AINDA MAIS E FINJO
UMA RÁPIDA LEITURA DA REVISTA, DO JORNAL,
O OHLHO DE VIÉS PARA O ESPELHO ANTIGO,
MEU AMIGO FIEL, MEU FIEL ALGOZ.
ME LEVANTO. PORÉM - E, VIRIL, CONCISO, SÚBITO,
SUBO UMA OITAVA A VOZ,
ME REDEFINO, ME ENGANO E ESGANIÇO,
POR PURA FALTA DE ASSUNTO:
“PREZADOS SENHORES E SENHORAS” (FALO PRÁ PORTA),
“HOJE E AMANHÃ E TODOS OS DIAS DO DEPOIS,
ATÉ O CHEGAR DA HORA MINHA E ME SUMIR O AR,
VELAI, VELAI POR MEUS SONHOS PERDIDOS,-
REZAI P'LO MEU IDEAL DEFUNTO...
...PRA CADELA DESPETALADA,
A LOURA CADELA DESPETALADA,
QUE MORTA MORA
DEBAIXO DO MEU SOFÁ”
(poesia minha, prum livro de desenhos e poemas que, espero, sairá afinal em breve!...)
A SHORT TEXTBOOK OF CLINICAL IMAGING
Radiographic appearances vary from a striated or sun-burst pattern, to a expansile osteolytic variety. Ocasionally, there may be localized cortical thickening of the bone, and maybe the marrow... E eu paro. E penso, e divago. Imponho disciplina, me castro, Fidel, me podo. E busco o linimento no que me faz lacrar a ferida aberta, a que não sara com qualquer mercurocromo - a que depende de um zipper com dentes de marfim costurados por línguas estáticas e laposas que saem do meu ponto G. E digo pro meu interior, digo solene, coisas outras que tu não queres ouvir, coisas que te fazem desconfortável, que te engravatam e te manietam até às últimas estrias. Imponho, porém. TENS QUE ESCUTAR! (trabalho por produção; isto é: se trabalho muito, ganho muito se trabalho pouco ganho miséria se não trabalho nada ganho fico duro e no final da semana cadê o da saidinha desafogadora cadê o do Bob's e até do restaurantezinho e como pensar em gastar e como não trabalhar prá cacete quinze horas dezesseis sem trava se não conseguir as laudas neste dia semana mês não tem como recuperar o dólar paralelo fechou a poucomaisdedois e os meus já se foram não tenho ações não tenho casa não tenho nada penso em comprar um terreninho penso em ir prá Curitiba penso em morar no frio será que me dou bem será que nos daremos bem eu e a Jo e a enquete a pesquisa nos coloca bota o Brasil atrás do Zaire pelo menos figuradamente ele está sacana esse meu país está alegórico pícaro podia ser atrás da Argentina e eu me fodendo todos os dias no meu teclado... Hemangioendotelioma (angiossarcoma) this is a benign vascular tumor Joelmir Betting no dia a dia da economia e a cabeça decola pro trabalho, sem misturar, sem))) ...Se queixar no más, todavia, afinal soy um tradutor, o melhor e mais produtivo do país, dono do meu passe, dono do meu nariz, um bilingue ducacete, rápido como o ráio, previsível como minha produção, brilhante, brilhante. Volto ao trabalho... Hemangiopericitoma. Um tumor extremamente raro, que se apresenta com uma lesão lítica expânsil predominantemente nas minhas costelas, mandíbulas e coração e cuca... Sufoca, cala e mata. O prognóstico para o meu tumor, caros clientes, é sombrio
(conto curto, fará parte de um livro que, espero, será publicado no ano que vem.)
(conto curto, fará parte de um livro que, espero, será publicado no ano que vem.)
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